Hiperadrenocorticismo em cães! o que você precisa saber

Os animais de companhia estão integrados às famílias de forma íntima e bastante afetiva, o que permite uma maior qualidade de vida por se beneficiarem, através do zelo de seus tutores, dos avanços disponíveis na medicina veterinária. Por consequência, tem-se promoção da longevidade que está, intimamente, associada ao aumento na incidência de doenças onde a idade é fator de risco, e ao manejo destas, como doenças degenerativas, oncológicas e endócrinas. A respeito destes grupos, o hiperadrenocorticismo é o principal distúrbio endócrino observado nos cães.

O hiperadrenocorticismo (HAC) ou Síndrome de Cushing (SC) é uma doença endócrina diagnosticada em cães e está associada ao excesso de glicocorticoides endógenos por neoplasia hipofisária ou adrenocortical ou por causa iatrogênica (IHAC), que é induzida pela administração excessiva de glicocorticóides orais, parenterais ou tópicos. Os efeitos e manifestações clínicas e laboratoriais variam entre os animais devido às diferenças individuais na sensibilidade do cortisol. A maioria dos cães com HAC apresentam hipercoagulabilidade saguínea e hiperalbuminuria.  Os sinais clínicos observados são poliúria, polidipsia, distensão abdominal, polifagia, fraqueza muscular, alterações respiratórias, neurológicas e cutâneas que se associam a alterações laboratoriais como linfopenia, eosinopenia, baixa densidade urinária, elevação do valores de fosfatase alcalina sérica e aumento das concentrações séricas de colesterol e triglicerídeos que, mesmo frequente nos cães com HAC, não possui especificidade e não apresentam repercussões clínicas.

blog

Montagem

 Um diagnóstico presuntivo de hiperadrenocorticismo em cães pode ser feito a partir de sinais clínicos, exame físico, exames laboratoriais de rotina e diagnóstico por imagem, mas o diagnóstico deve ser confirmado pelo uso de testes de função pituitária-adrenal com base em valores de corticosteróides anormalmente elevados em resposta a uma injeção intramuscular de hormônio adrenocorticotrófico. Outros testes de triagem incluem o teste de supressão de dexametasona em baixa dose e a relação cortisol urinário/creatinina, mas todos os testes podem apresentar como resultado falsos positivos ou falsos negativos. Então, uma combinação de histórico, sinais clínicos e achados laboratoriais são importantes no diagnóstico do hiperadrenocorticismo.

Pacientes com HAC são pacientes imunossuprimidos e inflamados que necessitam de assistência através do diagnósticos de doenças concomitantes como pancreatite e infecções urinárias recidivantes. Há, também, risco elevado de sepse, e, hemogramas seriados podem ser úteis na monitoração de infecções e inflamações sis­têmicas. Além de receber monitoramento cardiocirculatório estes pacientes necessitam de acompanhamento especializado por apresentarem risco de trombose pela hipercoagulabilidade sanguínea e anormalidades que estão associadas ao tromboembolismo e alterações plaquetárias.

Para o diagnóstico, alguns fatores de risco, como a idade, devem ser considerados. Sinais clínicos associados a exames de hemograma, análises bioquímicas, urinálise, teste de supressão de dexametasona em baixa ou alta dose e teste de estimulação com ACTH, podem não levar ao diagnóstico definitivo, pois nenhum exame laboratorial bioquímico ou os testes específicos isolados para hiperadrenocorticismo são perfeitos.  Os sinais mais comuns observados são adelgaçamento da pele, alopecia simétrica bilateral, atrofia muscular, elevação de fosfatase alcalina, alanina aminotransferase, triglicerídeos e colesterol. Além do aumento do índice de resistência renal, que inclusive é preditor de mortalidade em cães com HAC.

Diante da importância desta enfermidade na clínica de cães e das repercussões sistêmicas produzidas, é necessário, que em caso de suspeita clínica, os testes hormonais para diagnóstico devem ser incluídos nos check up de rotina, através da estimulação com ACTH para o HAC e verificar as correlações com os resultados laboratoriais, pois hiperadrenocorticismo pode estar associado a vários sinais clínicos, bioquímicos e hematológicos em cães, com características laboratoriais diversas, porém, inespecíficas, tornando o diagnóstico dificultoso, pela presença de doenças concomitantes, sendo imprescindível a associação dos sinais clínicos, resultados laboratoriais e testes específicos. Além de promover desordens orgânicas, desencadeando inflamação sistêmica, tornando o paciente pré-disposto a sepse.

O diagnóstico do HAC é um desafio para o médico veterinário, os testes específicos são de valor monetário elevado, dificultando o tutor, impondo tratamento dispendioso, que necessitam ser monitorados continuamente através de exames e profissional especializado. São pacientes imunossuprimidos que cursam com agentes oportunistas, tornando o manejo criterioso.

Palavra chave. Sindrome de Cushing, cães, cortisol, adrenal, fosfatase alcalina.

www.ctiveterinario.com.br

Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Professor no curso de Especialização em Clínica e Cirurgia de Animais de Companhia no Instituto Qualittas/Facesp. Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

ctiveterinarioHiperadrenocorticismo em cães! o que você precisa saber

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *