Raiva! Doença letal, o que precisamos saber?

A raiva é uma encefalite aguda, progressiva, causada por um vírus RNA da família Rhabdoviridae, do gênero Lyssavirus, que possui, atualmente, 7 genótipos. No Brasil apenas o genótipo 1 (Rabies virus – RABV) foi identificado. Esta zoonose é transmitida ao homem, principalmente, pela mordedura de animais infectados que eliminam o vírus.  Outras vias de transmissão da raiva são raras, embora tenham de ser consideradas em situações de investigação epidemiológica de caso ou surto.  Durante o período de incubação, o vírus pode permanecer no local da ferida, onde ocorreu a inoculação, replicando-se nas fibras musculares, antes de atingir as células nervosas e os nervos periféricos. Os vírus seguem um trajeto centrípeta, em fluxo axoplasmático retrógrado, célula a célula, através das junções sinápticas, até alcançar o sistema nervoso central e depois, seguem a direção centrífuga, disseminando-se por diferentes órgãos, inclusive as glândulas salivares, sendo então eliminados pela saliva. As manifestações clínicas vão desde o aparecimento de contraturas e espasmos musculares, tremores, convulsões, delírios e alucinações até o comprometimento neurológico que evolui para paralisia geral e coma, levando o indivíduo a morte. Dessa forma, torna seu diagnóstico obrigatório e de notificação compulsória, o que requer uma atenção diferenciada quanto à sua vigilância.

blog

Montagem

A transmissão da raiva ao homem ocorre pela inoculação do vírus, existente na saliva do animal infectado, na maioria das vezes, pela mordedura de um animal contaminado. Os gatos e cães são considerados os animais que mais oferecem risco ao homem, devido ao estreito e constante contato com seus criadores, mas a partir do início do século 21, com o controle principalmente da raiva canina, o morcego hematófago, passou também a ser reconhecido como um potente transmissor, confirmando que entre os mamíferos, os carnívoros e os morcegos são considerados os principais agentes transmissores da raiva. O morcego hematófago (Desmodus rotundus) tem importante papel como reservatório e agente transmissor, porém, o vírus da raiva tem sido isolado de várias outras espécies de morcegos não hematófagos.  A raiva silvestre assumiu maior importância também devido aos hábitos sinantrópicos destes animais selvagens, que cada vez mais alcançam as áreas urbanas, em consequência da maior oferta de alimentos existente nestas áreas e ao impacto ambiental provocado pela ação humana em seus habitats naturais.  No Brasil, 576 casos de raiva humana foram registrados de 1990 a 2010, sendo a região Centro-Oeste com 8% dos casos, a Sul com 10%, a Norte com 25% e a região Nordeste considerada endêmica com 57%. Diante da epidemiologia da doença, o Ministério da Saúde vem promovendo plano de ações para a redução no número de casos, através da legislação vigente, a portaria n 81/02, aprova o plano nacional de Luta e Vigilância Epidemiologia da Raiva Animal e outras zoonoses. Dentro do referido documento o Aviso n° 4 795/09, torna a vacinação antirábica obrigatória dos cães e voluntária de gatos, usada como único método de prevenção. Para os seres humanos, para prevenir a raiva, é possível tomar a vacina antirrábica antes da exposição ou do acidente por mordedura. Não é obrigatória, mas é recomendável aos viajantes que passam muito tempo em ambiente de risco.  Também é recomendável às pessoas expostas a um risco significativo, como funcionários de laboratórios, veterinários ou quem trabalha com animais. A vacinação também pode ser considerada para crianças que vivem em áreas de risco ou regularmente expostas a animais. A estratégia mais eficaz para reduzir os casos de raiva é a vacinação dos animais. A vacina é, portanto, altamente recomendada para cães e gatos, obrigatória em caso de viajar para fora do país, atestado por um certificado veterinário e confirmada a eficiência através de teste sorológico. Por isso, em caso de viagem, é melhor consultar as regras do país de destino e o médico veterinário que indicará o procedimento a seguir para a vacinação. Em todos os casos, é recomendável, a adultos e crianças, não alimentar animais selvagens e manter uma distância segura deles.

Vacine seu cão ou gato anualmente, vacina é a melhor proteção além de ser uma exigência legal.

Palavra chave: Doença infecciosa, mordedura, ferida, Lyssavirus.

Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

ctiveterinarioRaiva! Doença letal, o que precisamos saber?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *