Ancilostomose por Ancylostoma caninum é uma zoonose e deve receber atenção!

O estudo epidemiológico das populações parasitárias em animais de companhia nos permite traçar estratégias mais eficazes no tratamento e controle dessas populações, devido ao fato da maior parte destes Pets terem o hábito de defecar em jardins ou ruas, o que pode contribuir para a contínua contaminação do ambiente, visto que boa parte dos proprietários não promovem o correto descarte dessas fezes, contribuindo para a necessidade de cada vez mais ter atenção na higienização e combate aos ovos e oocistos no ambiente. A educação e orientação dos proprietários pelo médico veterinário, no que se refere especificamente a higiene e potenciais riscos são necessárias.

A fauna parasitológica dos cães é diversificada, e pode se manifestar com a presença ou não de sinais clínicos, porém quando associados a doenças infecciosas, onde os agentes etiológicos envolvidos são bactérias, fungos, coccídios e vírus, onde as mudanças ou transgressões do regime alimentar causam desequilíbrio da microbiota intestinal podendo agravar a doença, principalmente nos animais com até seis meses de idade e a frequência decresce com o aumento da idade. O parasitismo está presente mesmos nos cães que recebem algum controle antiparasitário e inclusive com ausência de sinais clínicos, o que reforça a necessidade da realização periódica de exames de fezes e tratamento específico em todos os cães, independente da presença ou não de sintomas de doença gastrintestinal.

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Montagem

Nas infecções parasitárias gastrintestinais existem três superfamílias de particular relevância, pertencentes ao Filo Nematoda: Ascaridoidea, Ancylostomatoidea e Metastrongyloidea. Os ancilostomatídeos são responsáveis por anemia grave em gatos e cães e têm potencial zoonótico. Em sistemas de criação comercial, com histórico da presença de parasitismo por ancilostomídeos e ascarídeos, deve-se efetuar tratamento associado ao exame de fezes, nos adultos, deve-se fazer o exame a cada quatro ou seis meses, ou na presença de sinais clínicos, nas fêmeas no início do cio, aos 40 dias de gestação, após o parto, para evitar a transmissão pelo leite a ninhada, a cada 15 dias até o desmame. É importante ressaltar que a associação de diferentes técnicas e o exame direto são ferramentas importante na detecção de múltiplas infecções. A infecção por via oral ou por penetração cutânea, sendo necessários 5 a 10 minutos de contato com o solo contaminado, as larvas migram por via sanguínea ou linfática até aos pulmões, mudam para larvas L4 e realizam migrações pulmonares até à traqueia, sendo posteriormente deglutidas. Atingem finalmente o intestino delgado (ID) onde realizam a sua muda final e atingem a forma adulta. Na infecção oral, as larvas podem penetrar na mucosa bucal e realizar as migrações anteriormente descritas. Podem também ir diretamente para o ID onde realizam duas mudas e se tornam adultos. Podem se encistar e permanecer em hipobiose. Os adultos têm uma vida média de 6 meses e cada fêmea de A. caninum, é capaz de produzir cerca de 16.000 ovos por dia. Encistam no músculos esqueléticos onde ficam mais de 240 dias em estado latente. São reativadas por situações de stress, doenças concomitantes e imunossupressão (administração de corticosteróides e quimioterapia), podendo colonizar o ID vários meses após a infecção. Causa importante da reativação das larvas encistadas é a gestação, migrando para o útero e glândula mamária, podendo infectar os fetos e neonatos in utero ou por via galactogénea. Tornando-se patentes na 2ª semana de vida. Larvas eliminadas no leite durante as 3 primeiras semanas de lactação. Devido ao longo período de vida destas larvas em estado latente, podem ser eliminadas em 3 lactações consecutivas sem necessidade de reinfecção da cadela, comprometendo as ninhadas e possibilitando a contaminação ambiental através das fezes não descartadas corretamente, além disso, é causadora no ser humano da Larva migrans cutânea “bicho geográfico”, acometendo seres humanos e principalmente crianças.

Portanto o emprego do correto tratamento farmacológico, manejo adequado, associado ao conhecimento do ciclo parasitário torna eficaz a eliminação das populações endoparasitárias dos animais de companhia, principalmente cães e gatos, os quais, hoje tem maior intimidade com as pessoas dentro no núcleo familiar. Minimizando com isso os danos a saúde animal e humana, dado ao fato do alto potencial zoonótico.

Importante lembrar que em qualquer necessidade de tratamento imunossupressor deve-se descartar infecções parasitárias, inclusive as latentes e durante o tratamento imunossupressor ou situação de imunossupressão, deve-se realizar exames de fezes e correlacionar aos sinais clínicos.

Palavra chave: diarreia, infecção, anemia, verminose, zoonose.

www.ctiveterinario.com.br

Paulo Daniel Sant’Anna Leal

Coordenador Técnico da Clínica Veterinária Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br
Professor da Disciplina de Doenças infecciosas e Terapêutica no curso de Especialização de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais no Instituto Qualittas/Facesp
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