Ciniclomicose por Cyniclomyces guttulatus – o que precisamos saber!

As doenças gastrintestinais, principalmente em cães jovens, compõem grande parte da casuística da clínica médica de pequenos animais, cujos sinais clínicos característicos são evidenciados através de vômitos, quando principalmente o estômago esta afetado, e diarreias, principal manifestação clínica dos intestinos delgado e grosso. Cães com diarreia crônica podem passar por períodos alternados de melhoria e agravamento da enfermidade. As diarreias podem ter etiologia tóxica, medicamentosa, parasitária, viral, bacteriana e fúngica. Nas infecciosas, onde os agentes etiológicos envolvidos são helmintos, bactérias, fungos, coccidios e vírus. Dentre as infecções intestinais, a presença de um ascomiceto do gênero Cyniclomyces vem sendo assinalada em fezes de cães, estômago e vesícula biliar, alguns destes casos associados a gastrite, diarreia e colangiohepatite em cães.

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O diagnóstico da ciniclomicose é feito conforme os sinais clínicos manifestados, nas diarreias, enterites, o exame de fezes associado, através da observação direta das fezes, após diluição em solução fisiológica e o uso do lugol e a centrifugo-flutuação com solução saturada de açúcar. Nas gastrites, a utilização do lavado gástrico é a melhor escolha diagnóstica, através da observação do material coletado em microscopia óptica, rápido e eficiente ou associado as biopsias da mucosa gástrica (endoscopia), onde através da histopatologia se observará as estruturas características. Nas colangites, a citologia da bile é a forma mais rápida e eficiente de diagnóstico, com a observação de estruturas típicas, com características próprias, diferente das observadas no intestino e no estômago. A histopatologia da vesícula biliar é obrigatório quando a colecistectomia ocorre.

O tratamento é através de antifúngico sistêmico, fluconazol, que possui largo espectro de ação e efeitos tóxicos bastante reduzidos e com a melhor absorção dentre os antifúngicos de sua categoria, o qual se mostrou eficiente quando utilizado na dose de 5mg/kg de peso vivo, até que não ocorra mais a observação das pseudo-hifas. O itraconazol já se mostrou incompetente no tratamento do ascomiceto. A nistatina em experiência recente para tratamento de C. guttulatus indicou que a dosagem mais eficaz para cães e gatos é de 50.000 UI /kg, via oral a cada 24 horas por 4 dias ou de 500.000 UI/30 kg de peso corporal, porém é extremamente tóxica para uso parenteral e nas doses terapêuticas por via oral a absorção pelo trato gastrointestinal é praticamente inexistente.  O tratamento cirúrgico para a colangite por ciniclomicose associada ao fluoconazol é efetiva, quando há um diagnóstico prévio associado a gastrite e enterite, através da pesquisa desses ascomicetos nas fezes e no lavado gástrico. Quando apenas se observa a colangite por C. guttulatus, a colecistectomia é eficiente, sem necessidade da utilização de antifúngicos.

A ciniclomicose deve compor a relação de doenças, Cyniclomyces guttulatus o agente etiológico a ser investigado quando há sinais clínicos como gastrite, enterite e colangiohepatite.

Palavra chave: Enderite, diarreia, gastrite, colangite, ascomiceto.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal

Coordenador Técnico da Clínica Veterinária Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br
Professor da Disciplina de Doenças infecciosas e Terapêutica no curso de Especialização de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais no Instituto Qualittas/Facesp
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