Dipilidiose é zoonose e merece atenção!

O Dipylidium caninum (Eucestoda: Dilepidiidae) é uma zoonose negligenciada, merece atenção por expor seres humanos e animais, confirma a presença de ectoparasitos no ambiente necessários ao ciclo da dipilidiose, vetores estes, com potencial de transmissão de outras enfermidades. D. caninum está taxonomicamente localizado no gênero Dipylidium, família Dilepidiidae, ordem Cyclophyllidea e subclasse Eucestoda.

As infecções humanas por D. caninum são raras, maior chance de ocorrer em crianças pequenas com contato íntimo com seus animais de estimação infectados. Há relatos de casos com infecção por D. caninum ou dipilidiose em todo o mundo, Linnaeus descreveu pela primeira vez em 1758. São casos cosmopolitas, espalhadas no mundo, mais de 300 casos humanos com dipilidiose já foram relatados. Os pacientes com dipilidiose são frequentemente assintomáticos, mas os sintomas, como prurido anal, diarreia, dor abdominal leve (geralmente dor epigástrica), diminuição do apetite, indigestão e distúrbios do trato gastrointestinal, podem ser observados. Ocasionalmente, a urticária, a eosinofilia, a irritabilidade psicológica, a ligeira redução do ganho de peso e a obstrução intestinal também foram descritas. A análise estatística de relatos de casos sugerem que a queixa mais comum é a demonstração de proglotes ativos que aparecem na área perianal, fralda ou fezes. Os sintomas, tais como prurido anal, diarreia, dor abdominal e perda de apetite são os mais comuns nos seres humanos, muito semelhante aos sinais clínicos observados nos animais de companhia.
O proglotes gravídicos são eliminados intactos nas fezes ou emergem da região perianal dos cães ou gatos ou outro hospedeiro, normalmente cães, em seguida, eles liberam ovos, que são ingeridos pelo hospedeiro intermediário, sendo o mais comum a larva da pulga (Ctenocephalides spp.), onde ocorre no seu interior a mudança de estágio, desenvolvendo-se em uma larva cisticercóide. A pulga adulta abriga o cisticercóide infeccioso. O hospedeiro vertebrado se infecta ingerindo a pulga adulta contendo o cisticercóide. O cão é o principal hospedeiro definitivo para o Dipylidium caninum. Outros potenciais hospedeiros incluem gatos, raposas e humanos, (principalmente crianças). Os seres humanos adquirem infecção pela ingestão da pulga contaminada com cisticercóide, principalmente crianças com contato intimo com cães que não fazem o controle adequado de ectoparasitas. No intestino delgado do hospedeiro vertebrado, o cisticercóide desenvolve-se até chegar a fase adulta, a tênia, que atinge a maturidade cerca de 1 mês após a infecção. As tênias adultas (com até 60 cm de comprimento e 3 mm de largura) residem no intestino delgado do hospedeiro, produzindo proglotes (ou segmentos) que têm dois poros genitais (daí o nome de “tênia de poros múltiplos”). Os proglotes amadurecem, tornam-se gravídicos, desprendem-se da tênia e migram para o ânus ou passam nas fezes, repetindo o ciclo.

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Montagem

Histórico de picadas ou a presença de pulgas, é um fator de risco importante para o diagnóstico de infecção por D. caninum. Quando ocorre diagnóstico em animais de estimação, cães ou gatos,  os animais infectados devem ser tratados e contaminantes humanos e outros animais devem ser investigados para o diagnóstico da dipilidiose.

Atualmente, o praziquantel é a droga de escolha para o tratamento da dipilidiose humana, assim como nos animais de companhia. A infecção por D. caninum é evitada ao eliminar os hospedeiros intermediários, como pulgas, a eliminação adequada de fezes de gatos e cães, evitando a contaminação ambiental, exame de fezes e observação destas de forma regular, ajudam a diagnosticar e controlar a infecção.

Palavra chave: zoonose, infecção, parasitismo, tênia, Dipylidium caninum.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal

Coordenador Técnico da Clínica Veterinária Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br
Professor da Disciplina de Doenças infecciosas e Terapêutica no curso de Especialização de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais no Instituto Qualittas/Facesp
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