Síndrome do gato paraquedista ou high-rise syndrome in Cats

Na rotina clínica, um dos atendimentos na medicina de felinos mais comuns são devidos a trauma, são em decorrência dos acidentes em áreas urbanas, automobilísticos e especialmente, onde existem edifícios, são as quedas de varandas, janelas, telhados, entre outros. Na gíria linguística estes casos são designados de “síndrome do gato paraquedista” ou “high-rise syndrome in Cats”, termo usado para descrever as lesões sofridas por um animal que cai ou salta de uma altura superior a dois (2) andares, referindo-se a gatos que sofrem quedas dos parapeitos das janelas ou varandas, obviamente, onde não há os cuidados devidos, pelo tutor, através da utilização de redes de proteção. Esta síndrome teve origem numa tríade de lesões, sendo elas: sangramento nasal ou epistaxis, fenda do palato e pneumotórax, mas com o aparecimento de mais casos e várias outras lesões observadas, a denominação de tríade se tornou inadequada, tendo em conta as lesões que esta espécie apresenta quando da queda. O agrupamento das lesões em tipo e região facilita o entendimento, agrupa-se as lesões em faciais, torácicas, ortopédicas e abdominais. As lesões faciais incluem: lesões nasais (epistaxes), fratura de mandíbula, luxação da sínfise mandibular, fenda do palato, fraturas dentárias e luxação da articulação temporomandibular. A nível de tórax, as lesões mais frequentes são fratura de costelas, vértebras, pneumotórax e efusões. Por fim, nas lesões ortopédicas incluem-se as fraturas nos membros pélvis e anteriores, luxação das articulações, tanto dos membros anteriores como dos posteriores. O trauma abdominal com comprometimento de vísceras parenquimatosa, como o figado principalmente, podem produzir hemorragias abdominais (efusões) e hematúria, quando lesões ocorrem no sistema urinário, porém com menor frequência do que as lesões ortopédicas e pneumotórax. O choque, apesar de ser pouco observado, pode ser a consequência mais grave, assim como o comprometimento respiratório e proporcionar o óbito do felino, pois à taxa de sobrevivência dos gatos paraquedistas, quando recebem o atendimento adequado, é bem elevada, em torno de 90%, apesar do número de lesões, sendo o choque hipovolêmico e o pneumotórax as maiores causa de mortalidade.

O atendimento é de urgência, felinos são animais muito sensíveis ao stress, podendo ter como resposta comportamentos imprevisíveis, como agressividade e comprometimento da atividade cardiorespiratória, contribuindo para um desfecho fatal, sendo necessária uma abordagem inicial cuidadosa. Este fator aumenta a complexidade do atendimento médico-veterinário nesta espécie em particular, especialmente numa situação de urgência. Desta forma, a prioridade deve ser a diminuição do stress, analgesia, aumento do conforto do animal, adaptando uma abordagem médica, com infraestrutura adequada, com serenidade, num ambiente sem ruídos e com o menor número de pessoas possível.

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Um episódio de queda por “gatos paraquedistas”, é uma situação de urgência, sendo necessária uma avaliação rápida da vítima em ambiente hospitalar. A prioridade da necessidade é baseada no nível de urgência conforme o estadiamento das lesões. A abordagem inicial a um paciente politraumatizado inclui as vias aéreas, o sistema respiratório, sistema cardiovascular, sistema nervoso e atenção a analgesia e sedação, para controle do stress, qualquer alteração grave nestes sistemas deve ser tomado as medidas necessárias de forma ágil. A detecção de qualquer lesão que possa comprometer a sobrevivência deve ser corrigida imediatamente, como por exemplo a detecção de obstrução da via aérea que deve ser desobstruída o mais rápido possível. Outras alterações respiratórias como pneumotórax ou hemotórax devem ser tratadas de forma adequada. É vital que o clínico se concentre em sinais e lesões que comprometam a vida, deixando para segundo plano fraturas óbvias que podem ser avaliadas posteriormente, feridas e escoriações. Em casos de animais politraumatizados é essencial que a abordagem seja feita obedecendo protocolos que protejam a vida do paciente, a observação do paciente em ambiente hospitalar, deve ser no mínimo de 24 horas. As fraturas de quadril devem receber atenção devido as suas consequências posteriores, quando comprometem a trato gastrintestinal  e possíveis obstruções no trajeto das fezes, com sinais de obstipação.

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Os exames de imagem como radiografias e ultrassonografias devem respeitar a condição clínica do paciente, porém são importantes no atendimento do paciente.

Palavra chave: Trauma, hemorragia, pneumotórax, efusão, óbito.

Clínica Veterinária CTI Veterinário

Paulo Daniel Sant’Anna Leal, BMV, MSc, Dr. CsVs, CNPq.br/Lattes
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

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