Esporotricose! Doença negligenciada do gato, cão e seres humanos.

A esporotricose é infecção fúngica, uma micose, profunda com manifestação cutânea, causada pelo fungo dimórfico Sporothrix schenkii, que está incluindo no chamado complexo Sporothrix schenkii. Este complexo é composto pelas seguintes espécies: S. albicans, S. brasiliensis, S. globosa, S. luriei, S. mexicana e S. schenckii. A infecção é causada por inoculação traumática, arranhadura ou mordedura, pela inoculação na pele ou mucosa, através de espinho de plantas, farpas de madeira. Locais com alta umidade, calor e obscuridade favorecem o crescimento do fungo, como solo, troncos de madeira, plantas, matéria orgânica em decomposição geralmente são locais onde o fungo é encontrado. A esporotricose já foi descrita em gatos, cães, ratos, tatus, equinos, asininos, bovinos, caprinos, suínos, hamsters, camelos, chimpanzés e aves domésticas, sendo os gatos diagnosticados com maior frequência e de maior importância.  Os felinos sadios são infectados em brigas com outro felino infectado ou no ato reprodutivo, através da inoculação do microrganismo presente nas unhas e cavidade oral, sendo os machos inteiros de vida livre mais acometidos. Em humanos a transmissão ocorre principalmente pela inoculação direta (arranhadura ou mordedura) de um felino infectado ou pelo contato com lesões cutâneas, plantas e solos contaminados ou ainda de forma indireta pela inalação do microrganismo, mais rara. A doença se manifesta comumente sob a forma cutâneo-linfática, mas também existem as formas: cutânea localizada, cutânea disseminada e extracutânea, os órgãos mais comuns afetados são fígado, pulmão, intestino e no Sistema Nervoso Central, todas elas com evolução subaguda ou crônica. Surgem em forma de pápula ou nódulo, progredindo para goma, com ulceração e drenagem de secreção seropurulenta, podendo estar acompanhada ou não de linfangite nodular ascendente.

Apresenta uma distribuição universal, sendo mais comum em regiões tropicais e subtropicais, encontrada tanto em área rural quanto urbana. A esporotricose não é uma doença relatada com frequência, e por este motivo a sua prevalência é desconhecida, porém tem sido relatada em vários países do continente americano: Estados Unidos da América, México, Guatemala, Colômbia, Peru e Brasil. Na Ásia: China, Índia, Japão. Também foi relatada a ocorrência na Austrália. No século passado, muitos casos da doença foram relatados na França, porém por não ser uma doença de notificação compulsória, seus números exatos são desconhecidos, mas levantamentos de órgãos de saúde pública indicam o aumento de incidência na última década. O grupo mais acometido é o de mulheres na idade adulta, provavelmente devido a esse grupo manipular solos e tratar gatos com maior frequência frente a outros.

  

A esporotricose vem ganhando proporções epidêmicas no município do Rio de Janeiro, trazendo a questão da necessidade de ampliação de atendimento clínico e do conhecimento da situação epidemiológica desta enfermidade, que possui elevado potencial zoonótico, com notificação compulsória no estado do Rio de Janeiro. Registrada em vários municípios do estado do Rio de Janeiro. Entre os anos de 1997 e 2007, foram diagnosticados e tratados 1848 caso da doença em humanos, dos quais 1287 foram registrados no último quadriênio. A frequência dos casos de esporotricose nos últimos quatro anos representa o dobro de casos relativos dos sete anos anteriores, a epidemia de esporotricose no estado do Rio de Janeiro se caracteriza pela transmissão zoonótica em ambiente domiciliar, tendo o gato como o principal transmissor do agente etiológico.

O diagnóstico, deve-se, sempre, ser associado ao histórico, exame físico e confirmado através da observação das estruturas fúngicas ou sua resposta no organismo, tais como: citologia; exame micológico (cultivo); histopatologia; provas sorológicas; testes intradérmicos; e na reação em cadeia de polimerase (PCR).

O tratamento deve ser estabelecido por profissional habilitado e demanda atenção quanto ao tempo e manejo do paciente, evitando recidivas e exposição aos contactantes.

Palavra chave: infecção, fungo, lesões cutâneas, Sporothrix schenkii

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal

Coordenador Técnico da Clínica Veterinária Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br
Professor da Disciplina de Doenças infecciosas e Terapêutica no curso de Especialização de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais no Instituto Qualittas/Facesp
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