Piometra, saiba mais sobre essa grave doença do aparelho reprodutor de cadelas.*

A infecção bacteriana do endométrio de cadelas ou piometra é uma doença que ocorre geralmente durante o diestro em fêmeas adultas, é caracterizada por um exsudado inflamatório, a hiperplasia endometrial cística (HEC), associado a colonização bacteriana do útero. Bastante comum na população de cadelas nulíparas, ocorrer em qualquer faixa etária de cadelas adultas, porém com maior frequência em cadela acima dos quatro anos, com ocorrência maior entre os nove e 10 anos de idade.  A infecção, na maioria das cadelas ocorre quatro semanas a 16 semanas após o estro, o diagnóstico é sugerido pela história clínica, achados físicos, como o aumento de volume abdominal e dor a palpação, no entanto a confirmação deve ser com o auxílio da radiografia abdominal na posição latero-lateral, com maior confiabilidade a ultra-sonografia abdominal.  A doença muitas das vezes leva a sepse e a síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS), manifestações clínicas do organismo em resposta a um estímulo inicial grave o suficiente para produzir uma liberação sistêmica de mediadores inflamatórios e a sepse, doença manifestada pela SRIS de origem infecciosa, causada pela infecção e endotoxinas que contribuem para o agravamento da doença sistêmica, marcadores de diagnóstico e prognóstico para esses pacientes através da detecção da SRIS e da sepse cada vez mais se faz necessário em medicina veterinária de animais de companhia com sepse e disfunção de múltiplos órgãos, sendo um desafio para o tratamento.  Pacientes críticos com SIRS são mais propensos a desenvolverem a síndrome de disfunção de múltiplos órgãos (SDMO), embora mesmo aquelas com sinais clínicos moderados podem sofrer de SIRS e SDMO, quando um estímulo inflamatório secundário pré existe, como a doença periodontal/periodontite grave, doença inflamatória passível de estar associada a infecções e inflamações a órgãos.

O tratamento cirúrgico não é garantia de cura, mesmo após a retirada do foco infeccioso, o tempo de hospitalização pode aumentar, devido a complicações: peritonite, infecção com insuficiência do trato urinário, infecção da ferida cirúrgica, uveíte, arritmia cardíaca e peritonite, associadas a leucopenia (pior prognóstico), febre ou hipotermia. Foram identificados vários indicadores clinicamente úteis, leucopenia foi o marcador mais importante, febre ou hipotermia, depressão e mucosas pálidas foram associados com risco aumentado para peritonite e/ou hospitalização prolongada, assim como a elevação da creatinina sérica e o lactato, que pode ser utilizado como critério de prognóstico, diagnóstico e avaliação da resposta ao tratamento em pacientes críticos.

A utilização da ovariosalpingohisterectomia (retirada cirúrgica do aparelho reprodutor feminino) eletiva é a indicação segura para se evitar a piometra.

 

PALAVRAS-CHAVE: Diestro, reprodutor, piometra, neutrófilos tóxicos, SIRS, sepse.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal

Coordenador Técnico da Clínica Veterinária Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br
Professor da Disciplina de Doenças infecciosas e Terapêutica no curso de Especialização de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais no Instituto Qualittas/Facesp

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