Diagnóstico de Infecção por Dirofilaria immitis em cães domésticos atendidos em serviço de saúde animal, Rio de Janeiro, Brasil

Os nematóides cardiopulmonares de cães e gatos são responsáveis por doenças parasitárias de importância na clínica de animais de companhia e como zoonoses1, com elevação da frequência e a distribuição aumentando em vários regiões geográficas no mundo, inclusive com a presença em áreas antes livres de ocorrência2,3, principalmente os representantes dos metaestrongilóides, Aelurostrongylus abstrusus, Angiostrongylus vasorum e Crenosoma vulpis, o filarioide Dirofilaria immitis e o tricurídeo Eucoleus aerophilus (Sin. Capillaria aerophila)4. O reconhecimento dos fatores de risco e a prevalência são importantes para estratégia de controle em saúde pública e no auxílio ao diagnóstico dos clínicos veterinários5,6. Caninos e felinos domésticos e silvestres são os reservatórios de Dirofilaria immitis e Dirofilaria repens, e os principais vetores são os mosquitos culicídeos, Aedes taeniorhynchus, Aedes scapularis, Culex quinquefasciatus7, que alimentam-se dos reservatórios animais e homem, onde há dirofilariose canina, intensifica-se o risco de infecções zoonóticas, com a manifestação de três formas de dirofilariose humana: a dirofilariose pulmonar (DP), geralmente causando um nódulo pulmonar solitário atribuído a D. immitis, como nódulos subcutâneos localizados em diferentes partes do corpo e no globo ocular, onde os vermes causam nódulos ou permanecem não encapsulados, sendo as duas últimas variantes causadas principalmente por D. repens8,9, porém já há descrição pela D. immitis, onde a infecção foi confirmada através de cadeia de polimerase e pela morfologia do verme adulto10,11,1. As larvas infectantes do terceiro estádio migram para os tecidos subcutâneos ou subseroso, sofrendo duas mudas durante os meses seguintes, e, após a quinta muda, a forma adulta jovem chega até o coração com um período pré-patente de no mínimo, seis meses5,12,13. É observada em todas as faixas etárias a partir de um ano de idade, o risco aumenta com a idade e principalmente os cães, de raça de médio e grande porte, com pelos curtos são mais afetados13. No Brasil, os registros de filaróides em cães estão limitados a D. immitis, Acanthocheilonema reconditum e Cercopithifilaria bainae14. Os sinais clínicos podem estar ausentes e quando observados, dependem da gravidade da doença e da sensibilidade do hospedeiro. Para o diagnóstico, os métodos diretos são eficientes, microfilárias circulantes são visualizadas em estirões sanguíneos ou teste de Knott modificado para a detecção de microfilárias, nos indiretos, detectam-se antígenos do helminto adulto ou anticorpos por meio de testes sorológicos ou testes de imunodiagnósticos, como o de ELISA, onde o aquecimento da amostra pode aumentar a precisão das pesquisas com base na detecção de antígenos, e revelar infecções ocultas de D. immitis15,16, assim como a utilização do método de reação de cadeia de polimerase/PCR3. Exames de imagens são úteis, radiografias de tórax e visualização ultrassonográfica de vermes também podem validar os resultados do teste diretos e de antígeno negativo, quando não há pelo menos uma fêmea adulta parasitando o hospedeiro17,5. A profilaxia deve se iniciar na oitava semana de vida, e ser feita durante toda a vida do animal. Antes de iniciar o protocolo de profilaxia escolhida, devem-se testar os cães com mais de sete meses de idade13. Deve-se ter atenção ao uso das ivermectinas, pois a longo prazo, como é a indicação na profilaxia da dirofilariose, podem promover lesões orgânicas18.

Resumo: Diante da importância dessa enfermidade na clínica de cães, verificamos a frequência com que a dirofilariose, pela Dirofilaria immitis é observada em cães urbanos na cidade do Rio de Janeiro, com acompanhamento médico veterinário de rotina. O estudo foi conduzido em 73 cães atendidos pelo serviço médico veterinário do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. As amostras de sangue foram coletadas e acondicionados em tubo sem anticoagulante, depois de centrifugadas foram utilizadas no diagnóstico in vitro para a detecção do antígeno de D. immitis, através do teste rápido (SNAP® 4Dx®, IDEXX Laboratories Inc., Westbrook, ME, EUA), de acordo com as instruções do fabricante. De 73 cães, todos testados para a pesquisa do antígeno de D. immitis, oito cães foram reativos, sendo considerados positivos (10,95%), mostrando a elevada frequência e a importância da infecção, mesmo em cães urbanos com acompanhamento veterinário de rotina, pois se trata de uma zoonose.

Palavras-chave: Zoonose, infecções parasitárias, mosquito, dirofilariose.

Abstract: In view of the importance of this disease in the dog clinic, we verified the frequency with which Dirofilaria immitis heartworm disease is observed in urban dogs in the City of Rio de Janeiro, with routine veterinary medical follow – up. The study was conducted in 73 dogs attended by the veterinary service of the Center of Intensive Care and Veterinary Emergency, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ. Blood samples were collected and packed in an anticoagulant tube. After centrifugation, they were used in the in vitro diagnostic for D. immitis antigen through the rapid test (SNAP® 4Dx®, IDEXX Laboratories Inc., Westbrook, ME, USA) According to the manufacturer’s instructions. Of the 73 dogs, all tested for D. immitis antigen, eight dogs were reactive, being considered positive (10.95%), showing the high frequency and importance of the infection, even in urban dogs with routine veterinary monitoring, Because it is a zoonosis.

Key-words: Zoonosis, parasitic infections, mosquito, heartworm.

Disponível em: https://issuu.com/clinicavet/docs/congresso-anclivepa-rio-2017/44

www.ctiveterinario.com.br

Paulo Daniel Sant’Anna Leal, BMV, Dr. CsVs, CNPq.br/Lattes
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

Paulo LealDiagnóstico de Infecção por Dirofilaria immitis em cães domésticos atendidos em serviço de saúde animal, Rio de Janeiro, Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *