Hyperadrenocorticism diagnosis in dogs attended in animal health service, Rio de Janeiro, Brazil

Os animais de companhia estão integrados às famílias de forma íntima e bastante afetiva, o que permite uma maior qualidade de vida por se beneficiarem, através do zelo de seus tutores, dos avanços disponíveis na medicina veterinária.  Por consequência, tem-se promoção da longevidade que está, intimamente, associada a um aumento na incidência de doenças onde a idade é fator de risco, como doenças oncológicas e endócrinas.  A respeito destes grupos, o hiperadrenocorticismo é o principal distúrbio endócrino observado nos cães (Ramsey & Ristic 2007; Parry 2012; O’Neill et al. 2016; Pöppl et al. 2016).

O hiperadrenocorticismo (HAC) ou Síndrome de Cushing (SC) é uma doença endócrina diagnosticada em cães e está associada ao excesso de glicocorticoides endógenos por neoplasia hipofisária ou adrenocortical ou por causa iatrogênica (IHAC), que é induzida pela administração excessiva de glicocorticóides orais, parenterais ou tópicos (Parry 2012; Bhavani et al. 2015; Scudder & Niessen 2015).  Os efeitos e manifestações clínicas e laboratoriais variam entre os animais devido às diferenças individuais na sensibilidade do cortisol (Peterson 2007; Ramsey & Ristic 2007; Behrend et la. 2013).  A maioria dos cães com HAC apresentam hipercoagulabilidade saguínea (Pace et al. 2013; Rose et al. 2013) e hiperalbuminuria (Chen et al. 2016).  Os sinais clínicos observados são poliúria, polidipsia, distensão abdominal, polifagia, fraqueza muscular, alterações respiratórias, neurológicas e cutâneas (Ling et al. 1979; Huang et al. 1999; Feldman 2008; Nelson & Couto 2010; Nagata & Yuki 2015) que se associam a alterações laboratoriais como linfopenia, eosinopenia, baixa densidade urinária, elevação do valores de fosfatase alcalina sérica e aumento das concentrações séricas de colesterol e triglicerídeos que, mesmo frequente nos cães com HAC, não possui especificidade (Ling et al. 1979; Teske et al. 1989; Bhavani et al. 2015) ou não apresentam repercussões clínicas (Ramsey & Ristic 2007).  Um diagnóstico presuntivo de hiperadrenocorticismo em cães pode ser feito a partir de sinais clínicos, exame físico, exames laboratoriais de rotina e diagnóstico por imagem, mas o diagnóstico deve ser confirmado pelo uso de testes de função pituitária-adrenal com base em valores de corticosteróides anormalmente elevados em resposta a uma injeção intramuscular de hormônio adrenocorticotrófico (Ling et al. 1979; Behrend et et. 2013; Mawby et al. 2014; Midence et al. 2015; Frank et al. 2015).  Outros testes de triagem incluem a o teste de supressão de dexametasona em baixa dose e a relação cortisol urinário/creatinina, mas todos os testes podem apresentar como resultado falsos positivos ou falsos negativos (Peterson 2007).  Então, uma combinação de histórico, sinais clínicos e achados laboratoriais são importantes no diagnóstico do hiperadrenocorticismo (Parry 2012; Behrend et al. 2013).

Pacientes com HAC são pacientes imunossuprimidos e inflamados que necessitam de assistência através do diagnósticos de doenças concomitantes como pancreatite (Mawby et al. 2014) e infecções urinárias recidivantes (Ling et al. 1979).  Há, também, risco elevado de sepse, e, hemogramas seriados podem ser úteis na monitoração de infecções e inflamações sis­têmicas (Bastos et al. 2016).  Além de receber monitoramento cardiocirculatório (Soares et al. 2016) estes pacientes necessitam de acompanhamento especializado por apresentarem risco de trombose pela hipercoagulabilidade sanguinea e anormalidades que estão associadas ao tromboembolismo e alterações plaquetárias (Kittrell & Berkwitt 2012; Rose et al. 2013; Pace et al. 2013; Park et al. 2013; Kang et al. 2016).

Para o diagnóstico, alguns fatores de risco, como a idade, devem ser considerados (O’Neill et al. 2016; Pöppl et al. 2016).  Sinais clínicos associados a exames de hemograma, análises bioquímicas, urinálise, teste de supressão de dexametasona em baixa ou alta dose e teste de estimulação com ACTH, podem não levar ao diagnóstico definitivo, pois nenhum exame laboratorial bioquímico ou os testes específicos isolados para hiperadrenocorticismo são perfeitos (Parry 2012; Behrend et al. 2013).  Os sinais mais comuns observados são adelgaçamento da pele, alopecia simétrica bilateral, atrofia muscular, elevação de fosfatase alcalina, alanina aminotransferase, triglicerídeos e colesterol (Ling et al. 1979; Huang et al. 1999; Nagata & Yuki 2015).  Além do aumento do índice de resistência renal, que inclusive é preditor de mortalidade em cães com HAC (Chen et al. 2016).

Diante da importância desta enfermidade na clínica de cães e das repercussões sistêmicas produzidas, este trabalho tem como objetivo estudar 21 cães que foram testados através da estimulação com ACTH para o HAC e verificar as correlações com os resultados laboratoriais de rotina como: diagnóstico de hematozoários e fosfatase alcalina, além das características de cada paciente como idade, sexo, competência reprodutiva e valores de hemograma (eritrograma, leucograma, plaquetograma e proteína plasmática total).

ABSTRACT. Ramos, M.I.M, Leal, P.D.S., Barbosa, L.L.deO. & Lopes, C.W.G. Hyperadrenocorticism in dogs attended at the animal health service in the City of Rio de Janeiro, Brazil.  [Hiperadrenocorticismo em cães atendidos em serviço de saúde animal na cidade do Rio de Janeiro, Brasil]Revista Brasileira de Medicina Veterinária, 38(Supl. 2): 00-00, 2016. Programa de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias, Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ, Brasil. E-mail: pauloleal@ctiveterinario.com.br

 The hyperadrenocorticism (HAC), or Cushing’s syndrome (CS) is an endocrine disease diagnosed in dogs associated with excessive endogenous glucocorticoid by pituitary or adrenal neoplasm, by iatrogenic (IHAC) induced by excessive administration of oral glucocorticoids, parenteral or topical. These changes are identified by physical examination, no specific laboratory tests (blood counts, urinalysis, lipid profile, alkaline phosphatase dosage and liver function profiles) and confirmed by a specific test. Clinical and laboratory manifestations vary among animals due to individual differences in cortisol sensitivity, with the absence or presence of clinical and laboratory signs. Due to the importance of this disease in the dog clinic for producing systemic effects, this work had the objective of studying in 21 dogs where they were tested by stimulation of adrenocorticotropic hormone (ACTH) for HAC. Dogs, which had some consistent factor for HAC as recurrent urinary tract infections, cholesterol or triglycerides and after fasting for more than 12 hours or alkaline phosphatase levels above the normal range without presenting hepatic and bone disease, they underwent adrenocorticotropic hormone stimulation test (ACTH-adrenocorticotropic hormone) synthetic dose 0.25 mL/ dog. Dogs with cortisol results after stimulation by ACTH, above 20 mcg/dL, had a confirmed diagnosis of hyperadrenocorticism. Of 21 dogs studied, 10 were diagnosed for HAC. Of these, eight dogs were positive for some species of blood parasites where six with monoinfection by Anaplasma platys and only one dog had multiple infection by A. platys and Mycoplasma canis. The hematological findings showed three dogs with anemia, four with thrombocytopenia, two with thrombocytosis, two with leukocytosis, six with eosinopenia, seven with neutrophilic, six with lymphopenia, five with monocytopenia and seven dogs with neutrophils on rods and left shunt, and six with hyperproteinaemia. Just one positive HAC dog did not have any concomitant infection. The results of biochemical evaluation showed eight animals with elevated alkaline phosphatase. Finally, when diagnosing hyperdrenocorticism in dogs, no correlation was observed with laboratory findings, other than alkaline phosphatase above 984 U/L and positive dogs for HAC.

KEY WORDS. Cushing’s syndrome, dogs, cortisol, adrenal, phosphatase alkaline.

O artigo esta disponível em http://www.rbmv.com.br/pdf_artigos/22-12-2017_16-46RBMV008-Supl.3.pdf

www.ctiveterinario.com.br

Paulo Daniel Sant’Anna Leal, BMV, Dr. CsVs, CNPq.br/Lattes
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

Paulo LealHyperadrenocorticism diagnosis in dogs attended in animal health service, Rio de Janeiro, Brazil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *